Trang Chủ/O DIÁRIO DE HO'PRETULÙ MPANDÈ /O GUERREIRO ZULU/
7º Capítulo
2º Dia da Viagem Maldita
7º Capítulo 2º Dia da Viagem Maldita A está presente significa que mais um dia se foi e pela graça dos Orixás, mais uma fração de esperança renovada e o meu instinto de guerreiro me diz que eu não posso morrer agora nas mãos desses malditos colonizadores, pelo menos agora não, eu terei muito que lutar para libertar o meu povo, essa é a minha luz. Ontem chorei muito por dentro, chorei pelo meu povo, pela minha gente, pelas humilhações, fui arrancado dos meus entes, da minha família, eu já sabia que a saudade ia me maltratar acintosamente pelo resto da minha vida e isso me doi mais que qualquer açoite ou castigo severo. Agora só me restava lamentar e guardar com muito carinho os restos das lembranças que ficaram em minha mente e serão eternos no meu coração até o fim da minha vida. Já nem sabia mais onde estávamos, quantas milhas de distância, só sei dizer que pelo cair da noite estávamos bem longe do nosso povo, da nossa África, embora a velocidade das caravelas fossem imperceptíveis, não tínhamos como ter a noção de distância, presos naquele porão praticamente fechado, dava para perceber apenas pelas frestas timidamente a presença da luz do sol ☀ durante o dia e a luz da lua obviamente quando chegava o anoitecer por essa razão sabia que a terra firme já estava bem longe de nós para enxergá-la a olho nu. Naquele segundo dia pela forma como éramos tratados fui percebendo a letalidade do ódio que cada capataz carregava no peito com aquelas caras de mal, pesadas e carregadas de ódio e ruindade. Todos eles cruéis muito cruéis.. Todos nós pretos constantemente permanecemos acorrentados, mal alimentados e fracos, embora em quantidade numérica de homens negros fosse superior, não tínhamos a menor condição de para um confronto numa batalha franca, mesmo porque todos os brancos portavam armas de fogo, facões, chicotes e foices, e qualquer esboço de qualquer um de nós já era motivo para abraçar a morte. E nós completamente desarmados contávamos apenas com a força física e com a ginga da nossa até então, desconhecida Capoeira, era praticamente impossível para não dizer inútil naquele momento. E qualquer atitude impensada colocaria em risco muita gente inocente e indefesa! Como a tripulação do navio não tinha o hábito de descer no porão, ficávamos a mercê da sorte parecendo um bando de zumbis, devido a exaustão, muitos passaram do estágio de moribundos para o de falecidos. Aquelas cenas de pessoas mortas em estado cadavérico permaneciam ao nosso lado por muito tempo ou dias. Até hoje não saem da minha memória, principalmente aquele mal cheiro, pútrefo e insuportável dos cadáveres exalando por todos os espaços da embarcação até que um dos capatazes liberava dois escravos para tirar os féretros dali e jogá-los nas águas salgadas do oceano, servindo de alimento aos peixes e tubarões. Era muito triste, doloroso assistir tudo aqueles horrores e nada poder fazer. Um outro detalhe muito triste que jamais esquecerei, era quando o navio tumbeiro encontrava alguma dificuldade durante a navegação, o comandante taxativamente ordenava que os negros moribundos (ainda com vida porém quase mortos) ou os mortos fossem lançados ao mar, como alternativa para reduzir o peso do navio, eles enxergavam todos os negros como animais e assim éramos tratados. E por essa razão um enorme cardume de tubarões seguia a rota dos navios tumbeiros na esperança de angariar alimentos (a carne humana dos negros escravos) para o sustento dos animais aquáticos. A contar deste século, pelo cheiro do sangue e o dor da putrefação dos defuntos, as rotas marítimas por onde passavam as embarcações negreiras, eram seguidas por diversos e enormes cardumes de gigantes tubarões e olha que sempre tinha 10% dos capturados que eram lançados ao mar geralmente entre 30 e 40 negros mortos. Nesses casos, o mar acabava se tornando a única saída dos negros para a luz da liberdade, antes de chegarem aos destinatários mais horrendos da história, o comércio de escravos. A morte para um guerreiro Zulu sempre foi e sempre será um ato de coragem. Muitos antes e partir diziam nos supostos leito de morte: __ Hoje chegou a minha liberdade! Agora vou encontrar o meu povo! E vou rever a minha minha ancestralidade, o elo da liberdade se abriu para mim! Foi somente no século XIX que as leis proibiram o comércio de negros. Entre 1806 e 1807, a Inglaterra acabou com o tráfico negreiro em seu Império e em 1833 proibiu o trabalho escravo. O Brasil forçosamente foi o último país a abolir a escravidão, enquanto isso, naquele porão sofremos muito! E mesmo após o tráfico negreiro ter sido proibido, a escravidão permaneceu até 1888 no Brasil 🇧🇷. Foi muito duro tudo que aconteceu e tudo que acontece com a população negra até hoje. No dia seguinte aconteceu algo inusitado dentro do navio Negreiro, vocês não tem a menor ideia....
Cảm ơn
Ủng hộ tác giả để mang đến cho bạn những câu truyện hay
muito bom
23/04
0amei
10/04
0maravilhosooo
19/02
0Xem tất cả