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Chương 7 Quando a Presença Começa a Doer de Tão Boa

O pátio estava mergulhado naquele silêncio que só a neve sabe fazer, mas o clima entre a Aurora e o Jacob estava pegando fogo — de um jeito bom, claro. Depois que eles saíram do banquete, a luz verde da lareira ainda escapava pela chaminé, pintando a neve em volta com um tom místico, tipo uma aurora boreal particular só pros dois.
Eles caminharam até a mureta de pedra, aquela que dava vista pra vila lá embaixo. As luzes das casas eram só pontinhos amarelos na imensidão branca.
— Viu só? — começou Jacob, quebrando o silêncio. — A gente enfrentou o Rei, a etiqueta chata do jantar e até o mau humor do meu pai. E olha nós aqui, inteiros.
Aurora deu um sorrisinho, apertando o manto de pele em volta do corpo.
— Inteiros, mas por um fio, né? Se aquela chama ficasse rosa, meu pai ia te fazer limpar as cocheiras amanhã cedo com uma escova de dentes.
— Ah, mas ia ser a cocheira mais bem limpa de Winter! — Jacob riu, mas logo a expressão dele ficou mais séria. — Sabe, Aurora... o que as criadas falaram hoje... sobre "cada um no seu lugar"... isso me deixou pensativo.
Aurora suspirou, sentindo o vapor da respiração sumir no ar gelado.
— Eu também, Jacob. Mas olha em volta. O mundo lá fora tenta colocar tudo em caixinha, mas aqui dentro do peito não funciona assim. Se a gente fosse seguir a regra, eu estaria lá dentro fingindo que me importo com fofoca de corte, e você estaria trancado num quarto lendo pergaminho mofado.
Jacob se aproximou mais um pouco. No escuro, os olhos dele pareciam ainda mais profundos.
— Pois é. E eu prefiro mil vezes estar aqui, passando frio com você. É estranho, né? Eu passei a vida fugindo de sentir as coisas, por causa da magia, por causa da dor... mas com você, parece que sentir é a única coisa que me deixa... vivo.
Ele estendeu a mão e, dessa vez, não foi só um toque de leve. Ele segurou a mão dela com firmeza, sentindo os dedos gelados da princesa de porcelana. Aurora não puxou a mão de volta. Pelo contrário, ela entrelaçou os dedos nos dele, sentindo aquele calor que parecia vir direto da alma do mago.
— Jacob... — ela começou, a voz meio embargada. — Promete que, se o inverno apertar de verdade, você não vai me soltar?
Ele olhou fixo pra ela, com uma convicção que até o Rei Louis respeitaria.
— Papo reto, Aurora. Eu posso perder a voz, posso perder a magia, mas eu não te solto por nada nesse mundo. A gente é time, lembra? Juntos.
Naquele momento, um floco de neve caiu bem na pontinha do nariz da Aurora, e ela deu um espirro engraçado que quebrou a tensão. Os dois começaram a rir, aquela risada gostosa de quem sabe que encontrou um porto seguro no meio da tempestade.
— Tá vendo? — disse Jacob, limpando a neve do rosto dela com o dedão. — Até o céu tá tentando te dar um susto pra ver se tu para de ser tão séria.
— Idiota! — ela riu, encostando a cabeça no ombro dele.
Lá de cima da torre, o Rowan observava a cena. Ele não estava com raiva, estava... preocupado. Ele sabia que o amor em tempos de guerra ou de reinos divididos era uma parada complicada. Mas ele também via o brilho que o filho tinha agora, um brilho que nem o treinamento mais rigoroso tinha conseguido dar.
O Rei Louis também espiou de uma janela lateral, coçando a barba.
— É, Scarlet... — murmurou o Rei pra si mesmo. — Nossa menina cresceu. E escolheu logo o mago. Pelo menos o guri tem estilo, vou dar esse ponto pra ele.
A noite em Winter seguiu calma. O destino ainda ia cobrar caro, as vozes na cabeça do Jacob ainda iam incomodar e as responsabilidades da Aurora não iam sumir, mas naquele pátio gelado, com a mão dada e o coração batendo no mesmo ritmo, eles eram invencíveis.
— Vamos entrar? — sugeriu Aurora. — Senão a gente vai virar estátua de gelo e o jardim já tem decoração que chegue.
— Só se for agora. Mas ó, amanhã eu vou tentar fazer o café da manhã flutuar até a sua mesa. Se cair tudo no seu colo, a culpa é da gravidade, beleza?
— Se cair no meu colo, eu te transformo em sapo, Jacob! Tô falando sério!
Os dois entraram de volta pro calor do castelo, deixando pra trás apenas as pegadas na neve, que logo seriam cobertas, mas o que estava escrito no coração deles... ah, isso nem a nevasca mais forte de Winter conseguiria apagar.

Bình Luận Sách (138)

  • avatar
    NatalinaRoberta

    eu não entendi muito

    11h

      0
  • avatar
    AvinteAlexya

    ameiii

    3d

      0
  • avatar
    SouzaThamyres

    bom

    7d

      0
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